Você já sabe consertar, o cliente chegou com o celular na mão e agora bate aquela dúvida silenciosa: quanto eu cobro? Cobrar pouco demais significa trabalhar de graça. Cobrar demais significa perder o cliente. E o pior de tudo é improvisar, porque preço “chutado” é o caminho mais rápido para fechar as portas sem entender por quê.
A boa notícia é que precificação não é palpite, é conta. E quando você aprende a fórmula, ela funciona para qualquer conserto, em qualquer cidade, com qualquer modelo de aparelho. O preço deixa de ser uma adivinhação nervosa e vira um número que você calcula com segurança.
Neste guia, eu mostro como montar o seu preço do zero: o que compõe o valor, como marcar a peça, quanto cobrar de mão de obra, uma tabela de referência por serviço e os erros que mais corroem a margem de quem está começando.
A conta que ninguém faz: o custo real do conserto
Antes de falar de preço, precisa ficar claro o que compõe o seu custo. A maioria dos iniciantes erra aqui, porque só soma a peça e esquece o resto.
O custo real de um conserto tem quatro partes:
- Custo da peça: quanto você pagou pela tela, bateria, conector ou componente
- Custo do tempo: seu trabalho tem valor, mesmo que você seja o dono do negócio. Uma hora do seu tempo precisa ser paga
- Custos operacionais: ferramenta que se desgasta, cola, adesivo, álcool isopropílico, energia, internet, embalagem e transporte
- Custo do risco: é o mais ignorado. Peça que você compra e não vende, peça que dá defeito e você tem que repor, cliente que não fecha, conserto que precisa de retrabalho. Tudo isso é custo que ronda cada atendimento
Quando você soma as quatro partes, o “custo” de um conserto é sempre maior do que a peça sozinha. É por isso que cobrar só o valor da peça mais um trocado é o caminho mais rápido para trabalhar muito e ganhar pouco.
A regra de ouro: separar peça e mão de obra
Aqui está a mudança de mentalidade que resolve metade do problema. Nunca cobre um valor único e fechado. Separe sempre peça e mão de obra.
Por quê? Porque assim você enxerga quanto está realmente ganhando. Se você cobra R$ 300 por uma troca de tela e a peça custou R$ 220, sua mão de obra foi de R$ 80. Se você não separa, parece que ganhou R$ 300, mas na verdade o lucro real é pequeno.

Separar também facilita explicar o preço ao cliente. “A peça custa X e o serviço custa Y” é uma conversa muito mais fácil que “fica 300 reais”, porque o cliente entende de onde vem o valor.
Como marcar a peça (a margem que sustenta a margem)
O erro número um de quem começa é cobrar a peça pelo preço de custo. Aí o lucro fica só na mão de obra, e a margem some.
A peça precisa ter markup, ou seja, um multiplicador sobre o custo. A regra prática no conserto de celular é trabalhar com um multiplicador entre 1,4 e 2,2 sobre o custo da peça, dependendo do tipo de conserto e do modelo.
Pense assim: se a tela custou R$ 100, você cobra entre R$ 140 e R$ 220 pela peça, e a mão de obra vem por cima. Essa margem não é ganância, ela paga o risco de peça que não vende, o retrabalho e o capital que fica parado no seu estoque.
Uma observação prática: em consertos de peça muito cara, como telas de modelos premium, use o multiplicador mais baixo (perto de 1,4), porque o valor absoluto já é alto. Em peças baratas, como conectores e baterias, o multiplicador pode ser mais alto (perto de 2), porque o valor final continua acessível ao cliente.
Quanto cobrar de mão de obra
A mão de obra é o que sobra depois da peça, e é onde está o seu lucro de verdade. Ela deve cobrir o seu tempo, os custos operacionais e o risco.
Na prática, o mercado brasileiro trabalha com estas faixas de mão de obra:
| Serviço | Mão de obra típica |
|---|---|
| Troca de bateria | R$ 50 a R$ 100 |
| Troca de tela | R$ 80 a R$ 200 |
| Troca da tampa traseira | R$ 70 a R$ 150 |
| Troca de conector de carga | R$ 70 a R$ 150 |
| Recuperação de celular molhado | R$ 100 a R$ 250 |
| Formatação e limpeza de software | R$ 40 a R$ 80 |
| Diagnóstico e orçamento | R$ 30 a R$ 60 |
Repare na proporção: os consertos que exigem mais técnica, como tela e conector, têm mão de obra maior. Isso não é acaso, é o que reflete a dificuldade e o risco de cada serviço.
Tabela de preço final por serviço
Juntando peça com markup e mão de obra, o preço final costuma cair nestas faixas, para aparelhos populares:
| Serviço | Preço final típico |
|---|---|
| Troca de bateria | R$ 120 a R$ 280 |
| Troca de tela | R$ 180 a R$ 600 |
| Troca da tampa traseira | R$ 150 a R$ 400 |
| Troca de conector de carga | R$ 150 a R$ 350 |
| Recuperação de celular molhado | R$ 150 a R$ 500 |
Use essa tabela como ponto de partida, não como verdade absoluta. O preço varia por região, por modelo e pela sua reputação. O importante é que o seu preço final caiba na conta lá de cima: peça, tempo, custos e risco, com lucro no fim.
O que faz o preço subir ou descer
Dois clientes com o mesmo aparelho podem receber orçamentos diferentes, e não é injustiça, é contexto:
- Modelo do aparelho: telas de aparelhos premium custam muito mais e exigem mais cuidado. O preço acompanha
- Peça de qualidade: peça original ou de qualidade superior custa mais e dura mais. Peça genérica é mais barata, mas gera mais retorno
- Urgência: entrega no mesmo dia ou atendimento fora do horário justifica um valor maior
- Região: capitais e regiões com custo de vida maior praticam preços maiores
- Reputação: técnico com boa avaliação cobra mais, porque o cliente paga por confiança
- Serviço extra: troca de adesivo, limpeza interna e teste completo podem entrar como valor agregado, não como brinde eterno
Os erros que corroem a sua margem
Vou listar os erros de precificação que mais quebram técnicos iniciantes, porque são silenciosos.
- Cobrar só a peça pelo custo: elimina metade do seu lucro. Sempre aplique markup na peça
- Não cobrar a mão de obra separada: mistura tudo no mesmo valor e você perde a visão do real ganho
- Cobrar o diagnóstico de graça sempre: claro que cobrar todo orçamento pode espantar cliente, mas o tempo usado para diagnosticar é trabalho. Cobre quando envolve abrir o aparelho ou medir placa
- Não considerar o risco: peça que dá defeito, cliente que não paga, retrabalho. O preço precisa cobrir isso
- Copiar o preço do concorrente sem entender a conta: o concorrente pode estar trabalhando no prejuízo e você não sabe
- Dar desconto antes de o cliente pedir: isso queima sua margem e ainda passa a impressão de que o preço estava inflado
- Não ajustar o preço com o tempo: fornecedor aumenta, custo de vida aumenta, seu preço precisa acompanhar
Como apresentar o preço ao cliente
Precificação é metade; a outra metade é como você comunica o valor.
Primeiro, sempre faça o diagnóstico antes de dar o preço. Orçamento sem diagnóstico é chute, e chute vira prejuízo.
Segundo, apresente o valor separando peça e mão de obra. Isso transmite transparência e faz o cliente entender o que ele está pagando.
Terceiro, mostre o benefício. O cliente não compra “uma tela”, ele compra “ter o celular funcionando de novo hoje”. Quando você posiciona o preço em relação ao que ele ganha (evitar comprar um aparelho novo, voltar a usar as fotos e os apps), o valor fica justo na cabeça dele.
Quarto, ofereça garantia. Uma garantia curta, de 30 a 90 dias no serviço, deixa o preço parecer mais seguro e reduz a resistência.
E um ponto final: não competir só por preço. Se o único diferencial for ser mais barato, um concorrente sempre aparece cobrando menos. Compita por prazo, qualidade e atendimento. Preço é argumento, mas não pode ser o único.
Me conta nos comentários: como você define o preço dos seus consertos? Se você nunca separou a mão de obra da peça, tente fazer isso no próximo orçamento e veja a diferença na sua margem.
E se você quer aprender a estrutura completa do negócio, com precificação, formalização e crescimento na ordem certa, um curso estruturado de manutenção de celular costuma cobrir também essa parte de gestão, junto com a técnica e a lista de fornecedores para comprar peça com preço melhor. Vale conhecer antes de continuar tocando o negócio no improviso.
Perguntas frequentes sobre quanto cobrar por conserto
Quanto cobrar pela troca de tela de um celular? Depende do modelo e da peça. Para aparelhos populares, o preço final costuma ficar entre
R$ 180eR$ 600, somando peça com markup e mão de obra deR$ 80aR$ 200.
Como calcular o preço de um conserto de celular? Some o custo da peça (com um multiplicador de 1,4 a 2,2), a mão de obra pelo seu tempo e uma parcela para custos operacionais e risco. Preço é conta, não palpite.
Devo cobrar a mão de obra separada da peça? Sim, sempre. Separar deixa claro o seu lucro real, facilita explicar o preço ao cliente e evita que você trabalhe de graça achando que está faturando bem.
É certo dar desconto para amigos e família? Com moderação. Um desconto pontual é ok, mas desconto permanente vira costume e corrói sua margem. O negócio precisa ser sustentável, inclusive com quem você conhece.
Quanto cobrar pelo diagnóstico? Entre
R$ 30eR$ 60quando envolve abrir o aparelho ou medir a placa. Muitos técnicos abatem esse valor se o cliente fechar o conserto, o que reduz a resistência.
Devo cobrar mais barato que a concorrência? Não faça disso a sua estratégia principal. Se o único diferencial for preço, sempre aparecerá alguém mais barato. Compita por prazo, qualidade e atendimento.





Deixe um comentário